Ipamorelin
Secretagogo de GH de terceira geração. O mais seletivo dos GHRPs, estimula GH sem elevar cortisol, prolactina ou apetite significativamente.
Este guia compila literatura científica publicada, protocolos de pesquisa e experiências documentadas. Não substitui orientação médica profissional — use como ponto de partida para identificar fontes primárias. As referências estão na seção final de cada página.
Resumo rápido
Convenção: seringa de insulina U-100 — 1 mL = 100 UI
Frasco
5 mg
Dose comum
200 mcg
Frequência
2x/dia
Via
Subcutânea
Concentração
2,5 mg/mL
Validade reconst.
60 dias
Armazenamento
Refrigerar 2–8°C
Reconstituição e cálculo de dose
Os valores partem do que você informar — nada é prescrito
Dados do frasco
Passos de reconstituição
- 1Higienize as mãos e a bancada; limpe a tampa do frasco com swab de álcool.
- 2Aspire 2 mL de água bacteriostática com seringa estéril.
- 3Injete o diluente lentamente pela parede interna do frasco, sem mirar diretamente no pó.
- 4Gire o frasco suavemente até dissolver por completo — nunca agite ou chacoalhe.
- 5Rotule com a data de reconstituição e guarde refrigerado (2–8°C).
Materiais necessários
- Frasco de Ipamorelin (5 mg)
- água bacteriostática estéril
- Seringa estéril (1–3 mL) para reconstituir
- Seringa de insulina U-100 para medir a dose
- Swabs de álcool 70%
- Recipiente para descarte de perfurocortantes
Como funciona
O Ipamorelin é um pentapeptídeo sintético que atua como agonista seletivo do receptor secretagogo de GH tipo 1a (GHS-R1a) na hipófise anterior e no hipotálamo, mimetizando a ação da grelina endógena sem ativação significativa de receptores periféricos relacionados ao cortisol ou prolactina. Sua seletividade molecular ímpar se deve à sua estrutura conformacional que limita a ativação de vias de sinalização secundárias como a proteína Gq/11, restringindo o estímulo quase exclusivamente à via Gs/adenilil ciclase, resultando em pulsos de GH fisiologicamente limpos e previsíveis. Diferente dos GHRPs de primeira e segunda geração, o Ipamorelin não recruta neurônios hipotalâmicos produtores de CRH nem estimula a liberação de ACTH, preservando o eixo HPA intacto e tornando-o o secretagogo de GH com o perfil de seletividade mais favorável da classe.
Como costuma ser usado
Dose habitual
100–300 mcg · 2–3x/dia
Timing
Em jejum · antes de dormir
Ciclo
8–16 semanas
Combo ideal
CJC-1295 (sem DAC)
›Antes de dormir é o horário mais importante — aproveita o pulso noturno de GH.
Protocolo de dosagem
Iniciante → Intermediário → Avançado
| Nível | Dose | Frequência | Via |
|---|---|---|---|
| Iniciante | 100 mcg | 1x/dia · antes de dormir | SC |
| Intermediário | 200 mcg | 2x/dia · em jejum | SC |
| Avançado | 300 mcg | 2–3x/dia · em jejum | SC |
Iniciante:Aproveitar o pico noturno de GH
Intermediário:Manhã em jejum + antes de dormir
Avançado:Sempre combinar com CJC-1295 sem DAC
›Sempre combinar com um GHRH (CJC-1295 sem DAC) para efeito sinérgico máximo. Nunca usar após refeição — insulina bloqueia resposta de GH.
Benefícios e riscos
Benefícios relatados
- Liberação pulsátil de GH altamente seletiva e dose-dependente, sem ativação do eixo HPA ou elevação de cortisol mesmo em doses suprafisiológicas
- Ausência de elevação de prolactina, evitando efeitos adversos como ginecomastia, disfunção sexual e impacto negativo no eixo HPG
- Elevação sustentada de IGF-1 circulante com uso contínuo, promovendo anabolismo muscular, síntese proteica e remodelação tecidual
- Melhora significativa da arquitetura do sono, especialmente nas fases de sono profundo (ondas lentas / NREM III), onde ocorre a maior secreção endógena de GH
- Aceleração da lipólise por ativação do receptor GHS-R1a no tecido adiposo, com redução preferencial de gordura visceral e subcutânea abdominal
- Efeito regenerativo em tecido conjuntivo, tendões e cartilagens mediado pela elevação de IGF-1 e ativação de células satélite musculares
- Não estimula o apetite de forma clinicamente relevante, diferindo substancialmente do GHRP-6 e sendo superior ao GHRP-2 neste aspecto
- Baixo risco de dessensibilização do receptor GHS-R1a em ciclos de até 16 semanas quando utilizado dentro das doses recomendadas
- Melhora da densidade mineral óssea com uso prolongado, via sinalização IGF-1/receptor de IGF-1 nos osteoblastos
Riscos e efeitos colaterais
- Menor potência de elevação de GH comparado ao GHRP-2 e Hexarelin, podendo ser insuficiente como agente único em protocolos de alto rendimento sem combinação com GHRH
- Cefaleia transitória nas primeiras semanas de uso, especialmente com doses acima de 300 mcg, relacionada à vasodilatação periférica mediada pelo GH
- Retenção hídrica leve a moderada por ação do GH nos túbulos renais (reabsorção de sódio e água), podendo causar edema periférico e aumento de pressão arterial em indivíduos sensíveis
- Síndrome do túnel do carpo em uso prolongado com doses elevadas, decorrente da retenção hídrica e expansão de tecidos moles periarticulares
- Dessensibilização parcial do GHS-R1a com uso contínuo superior a 16-20 semanas sem intervalos, reduzindo progressivamente a resposta de pico de GH
- Hipoglicemia leve e transitória pode ocorrer em aplicações em jejum prolongado, uma vez que o GH antagoniza a ação da insulina nos tecidos periféricos
- Impacto sobre sensibilidade à insulina em doses suprafisiológicas ou uso muito prolongado, exigindo monitoramento de glicemia de jejum e HOMA-IR em ciclos extensos
Linha do tempo esperada
Dias 1-7: Melhora perceptível na qualidade e profundidade do sono, redução do tempo de adormecimento e sensação de recuperação mais intensa ao acordar → Sem 2-4: Elevação progressiva de GH pulsátil detectável, início da melhora na recuperação pós-treino, redução discreta de retenção hídrica basal e melhora de bem-estar geral → Sem 4-8: Elevação sustentada de IGF-1 sérico (pico entre semanas 6-8), melhora visível em composição corporal com redução de gordura e discreto aumento de massa magra, pele com maior elasticidade e firmeza → Sem 8-12: Benefícios consolidados de composição corporal, melhora em força funcional e resistência, aceleração de recuperação de lesões em tecidos moles, efeitos anabólicos mais evidentes quando combinado com CJC-1295 → Sem 12-16: Manutenção dos ganhos, possível plateau de resposta de GH; avaliar necessidade de pausa; IGF-1 se mantém elevado → Off (2-4 semanas): Normalização gradual dos níveis de GH e IGF-1; eixo somatotrópico endógeno retorna à linha de base sem supressão significativa, preservando a função hipofisária
Técnica de aplicação
Aplicação subcutânea: pince a pele do abdômen ou coxa, insira a agulha em ângulo de 45–90°, aspire/injete devagar e faça rodízio dos locais a cada aplicação.
Armazenamento
- Após reconstituir: refrigere a 2–8°C, protegido da luz.
- Use em até 60 dias após a reconstituição.
- Frasco lacrado (liofilizado): válido por cerca de 730 dias quando bem armazenado.
- Descarte se a solução estiver turva, com partículas ou alterar de cor.
Notas importantes
Combinações
Combinações populares
- CJC-1295 sem DAC / Mod GRF 1-29 (sinergia GHRH+GHRP: o análogo de GHRH amplifica e prolonga o pulso de GH gerado pelo Ipamorelin, resultando em elevação de GH 3-10x superior à de cada peptídeo isolado, sem perda da seletividade do Ipamorelin)
- BPC-157 (potencialização da regeneração tecidual e cicatrização: enquanto o Ipamorelin eleva IGF-1 sistemicamente, o BPC-157 atua localmente em tendões, ligamentos e mucosa gastrointestinal via vias de sinalização independentes)
- TB-500 / Thymosin Beta-4 (recuperação musculoesquelética acelerada: complementa o Ipamorelin na fase de remodelação tecidual, com ação antiinflamatória e angiogênica local que o IGF-1 elevado não cobre sozinho)
- Sermorelin (alternativa de GHRH mais fisiológica para usuários iniciantes: combinação mais suave que CJC-1295, com meia-vida mais curta e perfil mais próximo do GHRH endógeno, indicada para protocolos conservadores)
- GH recombinante em doses baixas (para usuários avançados que buscam maximizar os níveis de GH: o Ipamorelin mantém a pulsatilidade endógena enquanto o rhGH fornece nível basal elevado, estratégia utilizada para preservar a responsividade hipofisária)
Suplementos complementares
- Zinco (cofator essencial para síntese e ação do IGF-1, além de suporte ao eixo GH/IGF-1 e função imune), Magnésio glicinato (potencializa a qualidade do sono profundo e a secreção noturna de GH, além de suporte à síntese proteica muscular), Vitamina D3 + K2 (melhora a sinalização do IGF-1 nos ossos e músculos, com evidências de potencialização da resposta anabólica do GH), Melatonina 0,5-1 mg (amplifica o pico noturno de GH quando usada junto à aplicação antes de dormir, sem interferir no eixo somatotrópico), Colágeno hidrolisado tipo I e II com vitamina C (maximiza os benefícios do Ipamorelin sobre tendões, cartilagens e pele ao fornecer substrato para síntese de colágeno estimulada pelo IGF-1), Ômega-3 EPA/DHA (reduz inflamação sistêmica e melhora sensibilidade à insulina, contrabalançando o efeito antagonista insulínico do GH elevado)
Relacionados
Referências
- 1Lu Z, et al. The growth hormone secretagogue receptor 1a agonists, anamorelin and ipamorelin, inhibit cisplatin-induced weight loss in ferrets: Anamorelin also exhibits anti-emetic effects via a central mechanism. Physiol Behav. 2024. DOI ↗
- 2Raun K, et al. Ipamorelin, the first selective growth hormone secretagogue. Eur J Endocrinol. 1998. DOI ↗
- 3Andersen NB, et al. The growth hormone secretagogue ipamorelin counteracts glucocorticoid-induced decrease in bone formation of adult rats. Growth Horm IGF Res. 2001. DOI ↗
- 4Jiménez-Reina L, et al. Influence of chronic treatment with the growth hormone secretagogue Ipamorelin, in young female rats: somatotroph response in vitro. Histol Histopathol. 2002. DOI ↗
- 5Fowkes MM, et al. Peptidomimetic growth hormone secretagogue derivatives for positron emission tomography imaging of the ghrelin receptor. Eur J Med Chem. 2018. DOI ↗
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