MT-1 (Melanotan 1)
Análogo linear da α-MSH com seletividade maior pelo receptor MC1R (bronzeamento) e menos efeitos sobre libido do que MT-2.
Este guia compila literatura científica publicada, protocolos de pesquisa e experiências documentadas. Não substitui orientação médica profissional — use como ponto de partida para identificar fontes primárias. As referências estão na seção final de cada página.
Resumo rápido
Convenção: seringa de insulina U-100 — 1 mL = 100 UI
Frasco
10 mg
Via
Subcutânea
Concentração
5 mg/mL
Validade reconst.
60 dias
Armazenamento
Refrigerar 2–8°C
Reconstituição e cálculo de dose
Os valores partem do que você informar — nada é prescrito
Dados do frasco
Passos de reconstituição
- 1Higienize as mãos e a bancada; limpe a tampa do frasco com swab de álcool.
- 2Aspire 2 mL de água bacteriostática com seringa estéril.
- 3Injete o diluente lentamente pela parede interna do frasco, sem mirar diretamente no pó.
- 4Gire o frasco suavemente até dissolver por completo — nunca agite ou chacoalhe.
- 5Rotule com a data de reconstituição e guarde refrigerado (2–8°C).
Materiais necessários
- Frasco de MT-1 (Melanotan 1) (10 mg)
- água bacteriostática estéril
- Seringa estéril (1–3 mL) para reconstituir
- Seringa de insulina U-100 para medir a dose
- Swabs de álcool 70%
- Recipiente para descarte de perfurocortantes
Como funciona
O Melanotan 1 (afamelanotida) é um análogo linear sintético da α-MSH, com substituição do aminoácido Met4 por Nle4 e adição de D-Phe7, conferindo resistência à degradação proteolítica e meia-vida plasmática significativamente superior à do peptídeo nativo (horas vs. minutos). Diferente do MT-2, apresenta seletividade preferencial pelo receptor MC1R expresso em melanócitos, ativando a via Gs-adenilil ciclase-AMPc-PKA que fosforila e estabiliza o fator de transcrição MITF (Microphthalmia-associated Transcription Factor), promovendo upregulation da tirosinase (TYR), enzima limitante da melanogênese, com resultante síntese aumentada e preferencial de eumelanina. A baixa afinidade relativa pelos receptores MC3R e MC4R explica o perfil de efeitos colaterais sistêmicos substancialmente reduzido em comparação ao MT-2.
Como costuma ser usado
Timing
À noite · antes de exposição solar
Combo ideal
Astaxantina
›Dose geralmente superior ao MT-2 pelo perfil mais seletivo. Ciclos focados em bronzeamento sem efeito afrodisíaco.
Protocolo de dosagem
Iniciante → Intermediário → Avançado
| Nível | Dose | Frequência | Via |
|---|---|---|---|
| Iniciante | 250–500 mcg | 1x/dia · à noite · antes de exposição solar | SC |
| Intermediário | 500–750 mcg | 1x/dia · à noite | SC |
| Avançado | 1 mg | 1x/dia · à noite | SC |
Iniciante:Doses geralmente superiores ao MT-2 pelo perfil mais seletivo
Intermediário:Ciclos focados em bronzeamento — sem efeito afrodisíaco
Avançado:Combinar com Astaxantina para fotoproteção ampliada
›Melanotan-1 tem perfil mais seletivo (MC1R) que o MT-2 — sem efeito afrodisíaco. Expor-se ao sol para ativar a melanogênese. Combinar com Astaxantina para fotoproteção adicional.
Benefícios e riscos
Benefícios relatados
- Induz melanogênese seletiva e eficiente via MC1R com mínima ativação de receptores sistêmicos, resultando em bronzeamento de alta qualidade com menor incidência de efeitos adversos
- Estimula preferencialmente a produção de eumelanina (pigmento castanho-escuro) em detrimento da feomelanina, oferecendo fotoproteção cutânea biologicamente mais eficaz contra danos induzidos por UV
- Aprovado em formulação de implante subcutâneo (Scenesse®/afamelanotida 16 mg) para prevenção de fototoxicidade em pacientes com Porfiria Eritropoiética Congênita (PEC), validando sua segurança clínica
- Menor incidência de náuseas, vômitos, flushing e efeitos sobre o sistema nervoso central em comparação ao MT-2, tornando-o mais adequado para populações sensíveis
- Ausência de efeito pro-erétil ou afrodisíaco clinicamente relevante, sendo preferível para usuários que buscam exclusivamente bronzeamento sem alterações na função sexual
- Bronzeamento mais gradual e fisiológico, com menor risco de hiperpigmentação focal excessiva ou escurecimento desproporcional de nevos
- Potencial uso terapêutico em dermatoses fotossensíveis como vitiligo e dermatite actínica crônica (em investigação clínica)
Riscos e efeitos colaterais
- Escurecimento de nevos melanocíticos preexistentes e manchas hiperpigmentadas, exigindo monitoramento dermatológico regular antes e durante o uso
- Rubor facial (flushing) e eritema leve a moderado nas primeiras horas após a administração, geralmente de menor intensidade que o observado com MT-2
- Náuseas leves ocasionais, especialmente em doses mais elevadas ou em indivíduos com sensibilidade gastrointestinal aumentada
- Cefaleia transitória e fadiga leve relatadas em alguns usuários, possivelmente associadas à vasodilatação periférica mediada pelo peptídeo
- Reações locais no sítio de injeção (eritema, equimose, nódulo subcutâneo), mitigáveis com técnica adequada e rodízio de locais
- Risco teórico de estimulação de lesões melanocíticas atípicas preexistentes — contraindicado em pacientes com histórico pessoal ou familiar de melanoma
Linha do tempo esperada
Dias 1–5: início com 500–750 mcg SC/dia para avaliação de tolerância, flushing leve e possível náusea discreta, sem efeitos sistêmicos centrais expressivos → Sem 1–2: doses plenas de 1–1,5 mg/dia, primeiros sinais de pigmentação aumentada com exposição solar regular de 20–30 min/dia, bronzeamento mais gradual e uniforme que o MT-2 → Sem 2–4: pigmentação progressiva e consistente, eumelanina deposita de forma homogênea, efeitos colaterais mínimos ou ausentes após adaptação → Sem 4–6: bronzeamento pleno atingido, transição para manutenção com doses 2–3x/semana, exposição solar semanal preserva resultado → Off/Pós-ciclo: pigmentação persiste por 3–6 semanas após suspensão, fade gradual sem efeito rebote — reavaliação dermatológica de nevos recomendada
Técnica de aplicação
Aplicação subcutânea: pince a pele do abdômen ou coxa, insira a agulha em ângulo de 45–90°, aspire/injete devagar e faça rodízio dos locais a cada aplicação.
Armazenamento
- Após reconstituir: refrigere a 2–8°C, protegido da luz.
- Use em até 60 dias após a reconstituição.
- Frasco lacrado (liofilizado): válido por cerca de 730 dias quando bem armazenado.
- Descarte se a solução estiver turva, com partículas ou alterar de cor.
Notas importantes
Combinações
Combinações populares
- GHK-Cu tópico (peptídeo do cobre que complementa a renovação cutânea, uniformidade da pigmentação e redução de manchas focais durante o ciclo de bronzeamento)
- BPC-157 (suporte gastrointestinal e redução dos efeitos adversos leves, além de propriedades anti-inflamatórias cutâneas sinérgicas)
- Vitamina D3 + K2 (suporte metabólico à fotoexposição controlada, essencial quando a exposição solar é o gatilho para ativação da melanogênese)
- Glutationa (uso tópico ou IV para controle da uniformidade do bronzeamento e prevenção de hiperpigmentação focal indesejada em áreas sensíveis)
- Epithalon (peptídeo regulador com potencial antioxidante sistêmico e suporte à integridade do DNA cutâneo durante fotoexposição repetida)
Suplementos complementares
- Astaxantina (antioxidante carotenoide que potencializa a fotoproteção natural e melhora a uniformidade do bronzeamento induzido pela eumelanina), Vitamina C (proteção antioxidante dos melanócitos contra estresse oxidativo UV e suporte à síntese de colágeno dérmico), Vitamina E (tocoferol com ação fotoprotetora sinérgica e estabilização de membranas lipídicas cutâneas), Betacaroteno (precursor pigmentante que complementa visualmente o efeito bronzeador e oferece fotoproteção adicional), Zinco (cofator essencial da tirosinase e outras enzimas da cadeia melanogênica), Ômega-3 (redução da resposta inflamatória pós-UV e manutenção da integridade da barreira cutânea)
Relacionados
Referências
- 1Langan EA, et al. Melanotropic peptides: more than just 'Barbie drugs' and 'sun-tan jabs'? Br J Dermatol. 2010. DOI ↗
- 2Wu J, et al. Afamelanotide: An Orphan Drug with Potential for Broad Dermatologic Applications. J Drugs Dermatol. 2021. DOI ↗
- 3Haylett AK, et al. Systemic photoprotection in solar urticaria with alpha-melanocyte-stimulating hormone analogue [Nle4-D-Phe7]-alpha-MSH. Br J Dermatol. 2011. DOI ↗
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Artigos obtidos do PubMed (NCBI). Os links levam ao DOI ou à ficha no PubMed.
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